Fabinho Gomes, na redação do JdeB, na tarde desta segunda-feira.
O Unisep/Francisco Beltrão Futsal teve bons e maus momentos durante o ano na Série Ouro. Derrotou equipes como Umuarama, Cascavel e Marechal, mas perdeu o clássico contra o Pato Branco e foi surpreendido até pelo lanterna Palotina. E um dos responsáveis por essa volta por cima é o técnico Fabinho Gomes, que assumiu a equipe no dia 28 de maio. De lá para cá, são 13 jogos, 10 vitórias, um empate e uma derrota.Para Fabinho, o Beltrão Futsal tem plenas condições de brigar pelo título do Paranaense, mesmo com o fato de ter apenas a quarta melhor campanha geral. O treinador disse também, em entrevista exclusiva ao Jornal de Beltrão, que tem pretensões de ficar na equipe em 2009, mas é preciso que a diretoria lhe dê condições boas de trabalho, para fazer um time de ponta no Paraná.
*JdeB - O Beltrão foi a única equipe a perder para o Palotina neste ano. Como fez para contornar a situação?
Fabinho - Contra o Palotina fizemos um jogo muito ruim, não tínhamos trocas disponíveis no elenco, e perdemos. Aí ficamos numa dependência muito ruim no jogo contra o Cianorte. O jogo foi mais na base da superação, conversa. Foi uma partida psicologicamente ruim, acabei sendo expulso por medo de a arbitragem complicar. Então o jogo contra o Palotina acendeu o sinal vermelho, que foi importante para reformular o time.
JdeB – Mas você chegou a pensar em desistir depois daquela derrota?
Fabinho – Não, o que a gente pensou era que precisaria de uma reformulação. A partir do momento em que eu fui contratado, o objetivo da diretoria era de ter um time entre os quatro melhores da Série Ouro. Com o time que estava, a gente nem conseguiria a classificação entre os 12. Mas eu não pensei em desistir, porque eu vim com a esposa, com a mudança de Bebedouro (SP) para cá.
JdeB – Está gostando de morar em Francisco Beltrão e treinar o time?
Fabinho – Antes, eu nunca tive oportunidade de trabalhar no Paraná, pois comecei a minha carreira há apenas três anos como treinador. Meu time anterior (Intelli-SP) era de Liga Nacional, conhecido no mundo todo praticamente, então eu não esperava trabalhar no Paraná. Hoje eu posso dizer que não pretendo sair do futsal paranaense tão cedo, pois é um campeonato muito organizado, com jogos somente aos sábado, podendo assim trabalhar a equipe durante a semana. E quanto a Francisco Beltrão, estou gostando muito daqui, é uma cidade acolhedora, com pessoas educadas, uma cultura diferente da paulista, cidade tranqüila para morar. Eu pretendo ficar por muito tempo no Paraná. Para eu ficar em Francisco Beltrão, a gente ainda tem muito para conversar, pra ver ainda o que vai acontecer. Mas essa torcida aqui é maravilhosa, incentiva do início ao fim, se apega muito fácil ao time, mas separa muito rápido também. Aqui é uma cidade, onde eu gostei de trabalhar. Mas nós, profissionais, precisamos ter condições de trabalho. O Beltrão não é mais um time pequeno. Para que isso não caia, a gente precisa manter uma estrutura legal para que ano que vem a gente possa montar, juntamente com a diretoria, um time para ser campeão paranaense. Acredito que se a gente tivesse esse time desde o começo do campeonato estaríamos numa posição melhor na classificação geral. O fruto do trabalho que está sendo feito hoje vai ser colhido no ano que vem. Por isso que o meu objetivo é ficar, segurar esses atletas que estão na equipe, com mais algumas contratações que eu vejo necessárias e ter uma base definitiva para o começo do ano.
JdeB – A maior parte dos gols estão sendo feitos através de jogadas ensaiadas. Quantas jogadas vocês têm?
Fabinho – Hoje o futsal é muito dinâmico, qualquer bola parada é perigo de gol. A gente procura ter um dia da semana para treinar as jogadas ensaiadas. E estão dando certo, mas é lógico que necessita de treinamentos, concentração dos atletas dentro de quadra, porque são poucos segundos para se decidir uma jogada. A gente tem várias jogadas de escanteios, laterais, linha de quadra, marcação-pressão.
JdeB - Você acredita no título?
Fabinho – Hoje sim. Não somente a gente se vê nessa condição, mas todos os adversários elogiam a nossa equipe e nos colocam como favoritos ao título. No começo do campeonato, a gente viu algumas notícias dizendo que os quatro semifinalistas seriam Pato Branco, Umuarama, Marechal e Cascavel. Desses quatro, provavelmente apenas dois vão continuar no campeonato, porque já se cruzam nas quartas. Então nós e o Londrina atrapalhamos os planos de vários times. Eu vejo isso como uma situação boa, uma oportunidade para outras equipes também crescerem.
JdeB – Qual a sua opinião sobre o fato de uma cidade do porte de Francisco Beltrão ter três times profissionais em atividade?
Fabinho – Não é viável. Uma cidade com 75 mil habitantes não suporta três times, não são tantos investidores. Eu tive um exemplo na minha cidade (Bebedouro – 80 mil habitantes) em 1993, quando teve dois times de futsal. Um ficou campeão e o outro vice na final do Paulista Ouro. Mas até hoje, 15 anos depois, não tem mais time. Ano que vem, pode ser que tenhamos dois times na Série Ouro, então a gente tem que ver isso, pois eu acho que deveria ter uma fusão entre as duas diretorias, um trabalho em conjunto para o bem do município e não para o ego de algumas pessoas.JdeB - O que você faz para estudar os adversário, você vê vídeos, vai nos jogos dos adversários?Fabinho - Em jogo é muito difícil, porque a maioria dos jogos aqui são no mesmo dia, então a gente procura, com as amizades que a gente tem no próprio Paraná, buscar vídeos dessas equipes, e estudar em casa, passando, vendo, ficar a semana inteira antes do jogo treinando situações que o adversário possa fazer. A gente passa pros atletas, na hora da preleção, os pontos positivos e negativos em vídeos para as equipes. É lógico que a gente vai ter um estudo do vídeo deles, completamente diferente do que pode ser dentro de quadra, mas já pode ter uma noção básica do que a equipe adversária pode fazer dentro da quadra.
JdeB - Os adversários estão tendo essa preocupação com o Beltrão?
Fabinho - Ah, com certeza. Eu acho que hoje a equipe mais preocupante que tem é a nossa, porque a maioria dos jogadores são de São Paulo e ninguém conhece. Eu trouxe jogadores de São Paulo, do Rio de Janeiro, totalmente diferente dessa mentalidade do Paraná, isso faz com que abra também mercado paulista aqui, e também haja uma preocupação maior com o estilo do nosso jogo, com certeza algumas equipes vêem a nossa equipe dentro de quadra, que só tem molecada, pensa que vai passar por cima, e quando vê já perderam o jogo. Então, é importante o respeito que a gente está tendo hoje, mas que também nós temos esse respeito por todas as equipes.
JdeB - Paulistas são baratos?
Fabinho - Sim, o Beltrão deu muita sorte de ter contratado esses atletas, porque no meio do ano é muito difícil contratar, porque precisa de uma liberação. Quanto ao aspecto financeiro aqui, hoje poucos times de São Paulo pagam o que pagam aqui. Eu posso contar nos dedos, somente umas três ou, no máximo, quatro equipes pagam o que o Beltrão paga hoje, então são atletas que podem vir pro Paraná por um preço mais viável.
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